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Amor e identidade

Todos sofremos de problemas de identidade: as pessoas e os países. E nisso somos todos iguais. Portugal sofre da crise de identidade do que já foi e do que ainda queria vir a ser. Hoje continuamos sempre a querer ser outra coisa: a querermos ser americanos, finlandeses, russos (tudo menos espanhóis que nós os portugueses somos muito melhores que os espanhóis). Os meus irmão galegos, pelos menos com o meu olhar, também sofrem das suas crises de identidade: não querem ser espanhóis, sentem a sua língua e culturas ameaçadas, e por isso sentem-se tantas vezes aprisionados na sua descoberta da identidade.

Por Bernardo Ramírez | Lisboa | 27/01/2010

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Felizmente ou infelizmente os media e a internet vieram criar outro problema grave de identidade. A proximidade do mundo, a chamada aldeia global, veio aumentar a quantidade de possíveis identidades e o desejo de sermos, cada vez mais, o que vemos na TV ou o que vemos na internet. De alguma forma todos queremos ser os americanos, todos queremos ser o Jack Bauer, a Scarlett Johansson, a Oprah ou o Clooney.
 
Acreditamos, mesmo que na fronteira do inconsciente, que existe um país onde é tudo cor-de-rosa. Onde podemos parar o tempo para fazer o que queremos, onde toda a gente é bonita e famosa, onde toda a gente aparece nos jornais e nas revistas, onde as pessoas podem ir sempre comer fora, onde todos trabalham, têm saúde de ferro ou são tratados no Mercy Hospital pelo Dr. House.
 
E por isso o nosso país, a nossa região, a nossa cidade e o nosso mundo são uma treta. Infelizmente, na grande maioria, vivemos sempre o sonho de querer ser outra coisa, porque o que somos não presta ou não é suficiente. Todos queremos algo diferente.  (Não é que ser melhor não seja importante e saudável,mas amar o que somos é igualmente importante.)
 
Esse romance distante do que podemos ser e não somos também nos leva a querer ajudar as vítimas do Katrina, do Haiti, ou qualquer outra crise e problema distante, mas sempre ignorantes da nossa vida, dos nossos vizinhos, dos nossos amigos, da nossa rua, dos inúmeros problemas e dificuldades que ocorrem tão perto de nós.
 
Ser galego, ou ser português, é uma honra. Vivemos em países abençoados, prósperos, cheios de gente que vive sem fome, que têm família, que não temem guerras, nem ataques terroristas, zonas geográficas cheias de boa comida e de boa gente. E passamos muito tempo sem celebrar essa felicidade.
 
Por isso hoje convido-vos a olhar para vocês, e para a vossa região, com alegria renovada. Procurar as coisas que vos fazem feliz e celebrar com alegria essa felicidade.
 
Que sejamos todos um pouco apaixonados por nós, e pelo que nos rodeia e que com isso possamos dizer: que bom é ser galego, que bom é ser português.



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Comentarios

6 comentarios
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Faragunde

Que orgullo poderdes pregoar de onde sodes e que todos saiban o que quere dicir, cando isto debería ser algo completamente normal en toda nación. Pero ocorre que isto, á día de hoxe, non é así (parece que si o era antes de existir Portugal, non?), e hai que asumilo tal como é ou ben tratar de mudalo. E nesas estamos, nesta tesitura, neste tira e afrouxa diario que é coma un senvivir, sobre todo para os da parte peor parada, que vemos como a nosa propia identidade corre o risco de se diluír nun mar de hispanidade reconcentrada.


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Faragunde

Madialeva que sodes mellores cós españois! É o mesmo sentimento que compartimos moitos dos galegos, por múltiples razóns de índole sociolóxica -a castiza carencia de humildade- e cultural -a rancia carencia de respecto-. Por iso nos doe tanto que nos metan no mesmo saco, algo que os portugueses non tendes que padecer. Só na Europa occidental e en Latinoamérica saben o que significa ser galego, e só o saben as persoas cultivadas. Ir polo resto do mundo dicindo que es galego e que continuamente che poñan cara rara non é prato de gusto. É como se foses de ningures. E iso é algo que non vos ocorre aos portugueses, e polo que vos envexamos.


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Carlos

Disculpa, pero si piensas que vivir en Portugal es para estar feliz, no sé que decirte. Preguntale a los miles de parados que hay en tu país. Tiene mucha razón Manuela Ferreira Leite; "en Portugal lo que sobra es alegría, sobre todo, la de Sócrates".


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Bernardo Ramirez

Sim, Alberto não podemos cair na colectivizacion como não podemos cair na individualização. São extremos ambos. Algures entre o copo meio cheio e o meio vazio está a verdade de cada um. É essa que convido a procurarmos. Exactamente com o mesmo princípio de perguntar o que tem a comida antes da a comer, é perguntar quem alimenta os media e porque é tão comum ter uma visão negra da realidade.


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Alberto de Sousa

Xa o dicía James Bond: "O mundo nunca é suficiente". Mais agardo que Bernardo non caia nesa fórmula de Caneiro (Xosé Carlos) de plural maiestático "Nós", porque está ben ser parte dalgo (neste caso Galicia ou a Lusofonía) pero a individualidade polo que vale. Que de estar no mesmo saco á colectivización hai un chisco ben pequeno! En canto a Sandra: lamento dicirlle que as caixeiras e traballadoras desa empresa non van precisamente dicindo por aí "vivamos como traballadores do Gadis". Imaxine as razóns. Aínda que se ser explotado laboralmente é parte da idiosincrasia deste pobo, o demo nos leve!


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Sandra

moi bonito e moi sentido este artigo. E canta razón tes!!!!. Vai sendo hora que recuperemos a nosa identidade, a identidade dos nosos antergos e sexamos felices sendo galegos, ou portugueses, ou galego-portugueses. Como dicía o anuncio de Gadis "vivamos como galegos" que xa vai sendo hora


Bernardo Ramírez

Bernardo Ramirez nasceu en 1974 en Faro. É apaixonado pelos seres humanos e pela vida. Formou-se em Constelações Familiares e em Constelações Organizacionais. Desenvolve em parceria o projecto “ Pedagogia Sistémica” (porque o sistema escolar representa o futuro). Tem um portal onde fala das Constelações, da Comunicação e da Tecnologia. Tenta ser estudante permanente e interessa-se por temas de Desenvolvimento Humano, da Comunicação e pela Tecnologia em geral. Formou-se em Comunicação e Novas Tecnologias.